A Salvador de Bruno Reis herdada de ACM Neto é uma cidade cercada por radares e sufocada pela indiferença. Dina, pastora e asmática, morreu diante dos olhos de todos, esperando um atendimento que nunca veio. Seu grito por oxigênio não foi suficiente para romper o descaso institucionalizado.
O mesmo governo que é capaz de multar em segundos não consegue atender um pedido de socorro em horas. As prioridades estão às avessas. A arrecadação das multas serve para alimentar um sistema de marketing, não para cuidar da população. Dina foi vítima dessa inversão cruel.
O sangue de Dina não está só no chão da UPA. Está nas mãos de quem governa há mais de uma década com foco em punir, não em acolher. Salvador virou uma cidade onde é mais fácil ser cobrado por uma infração do que socorrido por um colapso respiratório.
